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  Contagem, sexta-feira, 16 de novembro de 2018.

Fusariose da bananeira será estudada em detalhes em novo projeto da Embrapa

Banana. A maioria das pessoas gosta e consome. Porém, mal sabem o trabalho que dá para produzir aquela fruta bonita, disposta nas gôndolas dos supermercados, que colhida ainda verde chega amarela ao ponto de venda, e neste intervalo de tempo pode ser atacada por muitas pragas e doenças, tanto na pré como na pós-colheita. O ambiente é desafiador para os produtores e para os pesquisadores.

Segundo o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA), Miguel Angel Dita Rodriguez, lotado na Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), estima-se que a bananicultura empregue mais de 300 mil trabalhadores de maneira direta ou indireta no estado de São Paulo. Entre os fatores que limitam a cultura no estado está a fusariose da bananeira (FB), também conhecida como mal-do-Panamá.

Pensando nisso, e principalmente em melhorar o manejo, e assim a vida dos produtores de banana, a Embrapa está propondo um novo projeto de pesquisa (2019-2021), que busca novas formas de controle da fusariose, uma das principais doenças desta cultura, e que causa enormes prejuízos. Além dela, há também a sigatoka amarela e a negra, e pragas como a broca e nematoides.

Em 10 de outubro foi realizado na Embrapa Meio Ambiente um seminário para propor e discutir um novo projeto. Sob a coordenação de Rodriguez, o encontro reuniu pesquisadores da Embrapa e de instituições parcerias, como IAC (Instituto Agronômico) e produtores de duas regiões cultivadas com banana no estado de São Paulo: Aguaí e Vale do Ribeira.

Na ocasião foram apresentados resultados de experimentos e pesquisas realizadas durante dois anos (agosto 2015 a julho 2107) nas regiões citadas derivados de projetos concluídos e como será o novo projeto “Fusariose da bananeira: identificação de fatores de predisposição e alternativas para o manejo da doença”. Além disso, discutiu-se também novas iniciativas em busca da sustentabilidade do setor, propostas de atuação da pesquisa e manejo da fusariose, além de outras doenças, como a sigatoka (Mycosphaerella musicola ou Mycosphaerella fijiensis), e pragas, como a broca (Cosmopolites sordidus).

Inicialmente, o novo projeto está proposto para se iniciar no estado de São Paulo, e visando principalmente a questão da fusariose, com a parceria inicial de produtores da região do Vale do Ribeira, Aguaí e São Bento do Sapucaí, mas espera-se que os resultados gerados possam ajudar aos produtores de todo o Brasil.

Projeto aglutina diversas áreas de pesquisa

De acordo com Rodriguez, o principal objetivo é verificar o papel de fatores bióticos, abióticos e suas interações na predisposição à fusariose e identificar alternativas para o manejo sustentável da doença. “Neste novo projeto nós vamos identificar os fatores associados ao aumento ou diminuição da intensidade da fusariose; obtenção de métodos, práticas e tecnologias para o manejo de fatores de predisposição à FB; além de integração de práticas para reduzir perdas causadas pela doença", explica o pesquisador.

No seminário Rodriguez apresentou as diretrizes, os objetivos e resultados esperados do projeto “Identificação de fatores de predisposição para a Fusariose da bananeira e alternativas para seu manejo”, e também discorreu sobre o panorama das pesquisas com bananeira em SP, desenvolvidas pela Embrapa, IAC, APTA, Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral). Falou também sobre o papel dos nematoides e ervas daninhas.

Os resultados do experimento implantado em Aguaí foi apresentado pelo analista da Embrapa Meio Ambiente Henrique Vieira. Ele destacou a importância da saúde da planta por meio do manejo da saúde do solo, além da alternativa de plantio de variedades de bananeira para o Planalto Paulista, que sejam resistentes ao frio e a algumas doenças, como a BRS Princesa (tipo maça).

O pesquisador do IAC Luiz Teixeira falou sobre os parâmetros de solo como fatores de predisposição à doença, enfatizando o efeito do pH do solo e fontes de Nitrogênio. Ele salientou a relação entre os atributos físicos dos solos, como densidade e resistência de penetração das raízes da planta com a incidência da fusariose.

Já a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Jeanne Marinho Prado apresentou uma avaliação sobre o papel das brocas na dispersão e transmissão do Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), agente causal da doença, e alternativas de manejo, contribuindo para uma estratégia de manejo integrado da broca-da-bananeira e da fusariose. Para ela é “preciso entender o papel da broca na intensidade da fusariose”. O projeto também prevê estabelecer uma coleção de micro-organismos benéficos com potencial para o manejo da broca.

O papel do microbioma do solo e uso da metagenômica pra entender melhor a possível relação com a fusariose foi tema da apresentação da pesquisadora da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) Poliana Fernanda Giachetto. Para ela, “o sucesso do manejo da FB depende do conhecimento de fatores de predisposição à doença”. Poliana explica que a metagenômica permite a identificação de micro-organismos que não são cultivados em laboratório, por meio da análise de fragmentos de DNA obtidos de uma amostra do ambiente, no caso o solo.

No caso do projeto em questão, Poliana vai usar a técnica para identificar diferenças na estrutura e na composição da comunidade microbiana entre solos que possuem alta intensidade de doenças e solos com baixa ou nula incidência. Deste modo, questionando se áreas sadias possuem um microbioma mais "rico" e diverso do que áreas doentes, e como as práticas de manejo do solo afetam este microbioma. Pretende assim associar micro-organismos específicos com o status de saúde do solo.

O pesquisador Geraldo Stachetti, também da Embrapa Meio Ambiente, falou sobre como o Sistema Multicritério de Indicadores para Avaliação de Impactos e Adoção de Boas Práticas de Manejo (BPM) para a convivência com a fusariose da bananeira pode ajudar a gerar dados mais confiáveis para a pesquisa. Para ele é primordial “desenhar uma estratégia integrada baseada em BPM, que permita reduzir o impacto de fatores de predisposição à FB e aumentar a produtividade em bananeira”.

Stachetti comentou que os estudos utilizados pela Embrapa para avaliar os impactos causados pelas técnicas de controle do HLB dos citros, utilizando análise multicritério (método Ambitec-Agro), de acordo com verificação realizada com grupos de consultores técnicos que atuam na citricultura, poderão ser utilizados também para verificar e validar as técnicas de controle da fusariose em banana. O objetivo do sistema, explica o pesquisador, "é o de prover uma avaliação simples e de baixo custo dos impactos socioambientais de inovações tecnológicas e atividades rurais introduzidas em determinado sistema de produção".


Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: www.embrapa.br/mandioca-e-fruticultura


Notícia de 30/10/2018.

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